O PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE:Análise do Papel da Mulher

imagesNosso trabalho propõe fazer uma análise do papel da mulher apartir da década de 50 até os dias atuais levando em consideração a questão ideológica a questão da identidade e a questão da representação social e conjuntamente neste contexto fazer um apanhado do aspecto histórico da mulher antes da década de 50 no tocante a sua inserção na escolas de Serviço Sociais abordando aspectos não só históricos as também sociais e econômicos.
Antes de contextualizarmos a mulher dentro da questão ideológica, da questão da identidade e a questão da representação social é necessário fazer um uma abordagem desses tópicos para que o tema seja exposto de forma mais clara e coêrente.

Se entende por ideologia, assim, Chauí diz:

“Um dos traços fundamentais da ideologia consiste, justamente, em tomar as idéias como independentes da realidade histórica e social, de modo a fazer com que tais idéias expliquem aquela realidade que torna compreensíveis as idéias elaboradas.
A ideologia “é um ‘fato’ social justamente porque é produzida pelas relações sociais, possui razões muito determinadas para surgir e se conservar, não sendo um amontoado de idéias falsas que prejudicam a ciência, mas uma certa maneira da produção das idéias pela sociedade, ou melhor, por formas históricas determinadas das relações sociais” (p. 31).

mulherA ideologia dominante é compreendida da mesma forma pelos que, através dela, dominam e pelos que são dominados? A transmissão desta ideologia é feita da mesma forma, isto é, com as mesmas palavras, para todas as camadas sociais? Na verdade a ideologia surge da necessidade de se explicar o porquê e o para que a sociedade funciona de determinada maneira. E esta explicação geralmente é dada pelo grupo que se beneficia com tal arranjo social e que portanto, para manter taís benefícios precisa justificá-los e legitimá-los histórica e filosoficamente.
Assim podemos perceber onde nasce as trajetórias de lutas sociais de classes com a experiência de formar grupos sociais em detrimento de uma determinada causa e tambem de participar de movimentos sociais chegando ao ponto de modificar alguns conceitos cristalizados cotidianamente que vivenciamos dia-dia, seja no espaço do público e/ou privado.
A identidade é considerada uma categoria de análise, ou seja, constitui-se em um elemento que é utilizado como referencial para submeter um objeto a uma análise; um recurso teórico que vai subsidiar a compreensão de um dado fenômeno; mediação para a compreensão de um determinado objeto.
Desprovidos da idéia de natureza humana, e assumindo uma concepção de homem como ser sócio-histórico, as condições biológicas recebem um outro enfoque. De acordo com Bock (1997) estas condições são a sustentação de um desenvolvimento sócio-histórico, o que é endossado nas palavras de Sève:

Assim o homem se constitui, a partir de um suporte biológico que lhe dá condições gerais de possibilidades (próprias da espécie Homo Sapiens Sapiens) e condições particulares de realidade (próprias de sua carga genética). No entanto, as características humanas historicamente desenvolvidas se encontram objetivadas na forma de relações sociais que cada indivíduo encontra como dado existente, como formas históricas de individualidade, e que são apropriadas no desenrolar de sua existência através da mediação do outro. (Sève, apud Jacques, 1998, p. 162)

Logo, a identidade não é inata e pode ser entendida como uma forma sócio-histórica de individualidade. O contexto social fornece as condições para os mais variados modos e alternativas de identidade. O termo identidade pode, então, ser utilizado para expressar, de certa forma, uma singularidade construída na relação com outros homens.
Esse princípio revela que a “transformação das coisas não se realiza num processo circular de eterna repetição, uma repetição do velho. Como é gerado o novo? Esta mudança qualitativa se dá pelo acúmulo de elementos quantitativos que num dado momento produzem qualitativamente o novo.” (Gadotti, 1983 p. 26).
Na perspectiva da Psicologia Social, o homem é concebido como um ser social, que se constitui mediante um processo de interação. Através da linguagem, seja verbal ou não, significados são repassados através de um processo de comunicação socializada. Assim, as normas, regras e concepções da sociedade vão sendo internalizadas pelo sujeito.
O conceito de representação social foi proposto por Moscovici na década de 60 e refere-se a “um conjunto de conceitos, proposições e explicações criados na vida quotidiana no decurso da comunicação interindividual. (Moscovici, S., 1981:181)
Já representação social seria uma forma de conhecer a sociedade, cuja velocidade vertiginosa da informação obriga a um processamento constante do novo, que não abre espaço nem tempo para a cristalização de tradições, processamento que se esteia no olhar de quem vê.
A representação social, portanto, não é uma cópia nem um reflexo, uma imagem fotográfica da realidade: é uma tradução, uma versão desta. Ela está em transformação como o objeto que tenta elaborar. É dinâmica, móvel. Ao mesmo tempo, diante da enorme massa de traduções que executamos continuamente, constituímos uma sociedade de “sábios ama-dores” (Moscovici, 1961), na qual o importante é falar do que todo o mundo fala, uma vez que a comunicação é berço da sociedade. Isto indica que o sujeito do conhecimento não é um vegetal que recebe passivamente o que o mundo lhe oferece, como se a divisória entre ele e a realidade fosse uma linha bem traçado.
Define-se representações sociais, em linhas gerais, como um fenômeno social gerado num processo contínuo de identificação um ato através do qual o indivíduo se define e se classifica, identifica-se com um grupo ao mesmo tempo que se diferencia de outros. Assim, modalidades de conhecimento particular que produzem sentido e fornecem uma explicação e/ou interpretação do mundo às práticas sociais. Parte-se da idéia de que as representações sociais são um instrumento que nos auxilia nos estudos sobre a identidade social.
Vemos dessa forma como a representação social encadeia ação, pensamento e linguagem nas suas funções primordiais de tornar o não familiar conhecido, possibilitar a comunicação e obter controle sobre o meio em que se vive, compreender o mundo e as relações que nele se estabelecem. Moscovici afirma que:

 “(…) a representação social é um corpus organizado de conhecimentos e uma das ativi-dades psíquicas graças às quais os homens tornam a realidade física e social inteligí-vel, se inserem num grupo ou numa relação cotidiana de trocas, liberam o poder dasua imaginação.” (Moscovici, 1961, p.27-28)

Em resumo, ao ser produção simbólica destinada a compreender e mundo, ela provém de um sujeito ativo e criativo, tem um caráter cognitivo e autônomo e configura a construção social da realidade. A ação e a comunicação são seu berço e chão: delas provém e a elas retorna a representação social é uma ação recíproca.
Agora que já temos uma idéia dos conceitos não mais o abordaremos de forma separada e sim já de forma contextualizada. O texto não será divido por décadas (antes ou depois da década de 1950) ou temas, uma vez que tanto os conceitos que vão ser abordados quanto o contexto que será exposto por si só estabelecerá um diálago cronológico e coêrente no tocante a inserção das mulheres nas Escolas de Serviço Social e depois da década de 50 o papel que elas tem desempenhado até os dias atuais.
É incontestável que existe uma representação social tradicional das mulheres na sociedade, tal visão é construida de forma histórico-social tanto a feminina quanto a masculina.
caoxqz09Em nossa sociedade concepção de mulher e homem esta enraizada no imaginário cristão, que se solidificou na sociedade ocidental, formando homens e mulheres com identidades opostas. Desta forma, os homens são formados para serem fortes, provedores, protetores, enquanto as mulheres são formadas para serem frágeis, protegidas, submissas, dóceis. Esta representação social do “ser mulher” as encaminha para profissões que, exijam as características que se supõem inatas às mulheres. Assim, as profissões que educam, cuidam, ajudam são associadas às mulheres e são predominantemente procuradas por elas.
Tendo com base as primeiras décadas do Século XX e de acordo com que escreveu Biestek (1960), havia um esboços sobre a formulação de um princípio de autodeterminação. Os Assistentes Sociais reconheciam que apesar da dependência de seus “clientes”, os mesmos deveriam ser reconhecidos como seres humanos, portadores de direitos inalienáveis dados por Deus para viver a sua própria vida. Seria muito simples falar isso se o mundo não estivesse sendo abalado por uma 1° Guerra mundial. Como naquela época com todo o caos assolando o mundo se podia falar em “direitos inalienáveis dados por Deus”… o único argumento palpável é um: as mulheres eram quem estavam a frente do informe feto do Serviço Social – se fossem os homem provavelmente nunca teria existido o Serviço Social ou se tivesse surgido teria sido bem tardiamente.
O Serviço Social emergiu no Brasil como formação técnica especializada nos marcos da expansão urbana e industrial nos anos de 1930, quando foram fundadas as primeiras instituições de ensino com esse propósito em São Paulo (1936) a Escola de Serviço Social de São Paulo (ESS/SP) e no Rio de Janeiro (1937), quanto da primeira Escola masculina (1940), o Instituto de Serviço Social de São Paulo (ISS/SP), no Brasil. Na literatura do Serviço Social, ou em parte dela pelo menos, incontestes são as referências ao “feminino” em sua gênese.
Conforme se depreende desses passos iniciais, não foi por acaso que a primeira turma, formada em março de 1938, compunha-se exclusivamente de jovens do sexo feminino. Há que se ter presente a influência do repertório valorativo da Igreja Católica, que, em relação à educação, por exemplo, não admitia a formação conjunta entre os sexos – embora exceções houvesse.
Acerca desta questão, é interessante observarmos o discurso da oradora da primeira turma de Serviço Social, Lucy Pestana da Silva (1938), já manifestava atenção em relação à determinada condição de mulher e a implicação desta no campo do Serviço Social naquele período:

“Nesse contacto, porém, um aspecto bom veio juntar-se: a mulher aprendeu a tomar uma atitude mais definida em face da vida. Uma corrente, procurando igualar o papel socialfeminino ao masculino, definiu-se de modo falso e errôneo. Ao seu lado, porém, outra mentalidade surgiu: a de formar a personalidade feminina, dando-lhe pleno desenvolvimento, tornando-a apta a cumprir de modo eficaz o seu papel no lar e fora dele. (…) Costuma-se, já disse alguém, ver o padrão da civilização de um povo, pelo nível da formação feminina. Aí a sua grande responsabilidade social, ainda mais quando chamada a diversos cargos, tendo como hoje acesso a quase todas as posições e profissões. É desse aspecto que falo em segundo lugar. Se são muitas hoje as carreiras que se nos oferecem não me parece feminino torná-las indistintamente. De acordo com sua natureza a mulher só poderá ser profissional numa carreira em que suas qualidades se desenvolvam, em que sua capacidade de dedicação e de devotamento seja exercida. (…) Intelectualmente o homem é empreendedor, combativo, tende para a dominação. Seu temperamento prepara-o para a vida exterior, para a organização e para a concorrência. A mulher é feita para compreender e ajudar. Dotada de grande paciência, ocupa-se eficazmente de seres fracos, por isso, particularmente indicada a servir de intermediária, a estabelecer e manter relações. De acordo com sua natureza a mulher só poderá ser profissional numa carreira, em que suas qualidades se desenvolvam, em que sua capacidade de dedicação, de devotamento seja exercida. (…) Como educadora é conhecida a sua missão. Abre-se-nos agora também com o movimento atual, mais um aspecto de atividade: o de serviço social, que apresenta alguns setores especiais de atividade feminina.” (Iamamoto, 1983, p. 175- 176).

A qualificação em Serviço Social, portanto, nem sempre era condição suficiente para o exercício da profissão, pois se havia alguns setores especiais de atividade apropriadas às assistentes sociais femininas, outros se constituiriam apropriados ao masculino, o que evidencia como as relações de gênero foram constituintes desse campo profissional e expalhar, em parte, a “imagem feminina” de que foi revestido.diadamulher2
Contudo, existe um outro lado que muitas vezes não é mencionado. Durante a formação dos assistentes sociais masculinos na ESS/SP foi sendo gestada a constituição de um espaço de formação exclusivamente masculino, o Instituto de Serviço Social de São Paulo, fundado em março de 1940 – primeira unidade de ensino, desse campo profissional, masculina da América Latina.
Embora essa divisão na formação profissional seja referida em estudos publicados ainda no começo da década de 1980 (Iamamoto & Carvalho, 1982; Lima, 1982), a marca do feminino na profissão é de ordem tal que a obscureceu. Seriam as mulheres mais competêntes?
Ao verificaros dados relativos aos diplomados assistentes sociais pelas duas escolas nas três primeiras décadas desde suas fundações (lembrando que a formação especializada se concentrava na capital paulista até 1949, quando foi criada a terceira Escola de Serviço Social no interior do Estado de São Paulo, no município de Campinas) observamos, conforme o quadro abaixo, que a composição segundo as categorias sexo masculino e feminino nesse contexto específico não fora, a princípio, tão “feminino” quanto se pensava.
Fonte dos dados absolutos: Lima (1991, p.135) e arquivos da ESS/SP e do ISS/SP.
(Obs.: os dados relativos aos anos de 1940 e 1941 referem-se, exclusivamente, àqueles que se formaram na ESS/SP, pois, o ISS/SP formou a sua primeira turma em 1942. A partir deste ano, devido à segregação de gênero na formação, os dados masculino são relativos ao ISS/SP e os dados feminino referem-se à ESS/SP)
Mesmo tendo sentimentos tão nobres em exercicio de sua formação profissional como: inclinação, sensibilidade, gosto pelo social os/as assistentes sociais o campo profissional, entretanto, caracterizava-se, segundo algumas falas masculinas, pelo caráter “desinteressado” em relação à remuneração do trabalho, tornando-o pouco atrativo para os homens, ou, dito noutros termos, pesava negativamente entre as alternativas disponíveis e possíveis de carreira profissional.
Há narrativas que atribuem esse desprendimento material a presença feminina. Alguns argumentos trazem à tona a idéia de que as mulheres não tinham (nem deveriam ter) o trabalho profissional e remunerado como necessidade: acreditava-se que as assistentes sociais podiam exercer a profissão sem se preocupar com a remuneração porque eram sustentadas por suas famílias, contrariamente aos homens que tinham a incumbência de sustentá-las.
Para os homens que não prosseguiram no Serviço Social as justificativas indicam, em geral, a busca de outras carreiras de maior prestígio e ou de espaços institucionais que os permitissem ascender profissional e socialmente, enquanto que para as mulheres postulam, não raro, o casamento e a maternidade. Aliás, os estudos desenvolvidos por Cristina Bruschini (2000) afirmam que a maternidade ainda permanece como um dos fatores que mais interfere na participação feminina no mercado de trabalho.
Há que se considerar, porém, que essa intersecção nas trajetórias profissionais e de trabalho não se manifesta de forma idêntica e nem adquire igual significado para e no cotidiano das mulheres. Do contrário, estaríamos incorrendo num dos problemas identificados e criticados pelo pensamento feminista contemporâneo nos estudos sobre mulheres, qual seja, o de não pensar as diferenças entre as e nas mulheres – o mesmo podemos afirmar em relação aos homens e a masculinidade, pois a forma como são vividas suas experiências concretas no cotidiano tampouco são homogêneas, lineares e coerentes.
novo-1O Serviço Social surgiu e se construiu historicamente, como uma profissão destinada a “mulheres”, com forte ligação com valores cristãos e humanitários e um histórico de subalternidade. É o que os estudos de gênero costumam chamar de Divisão Sexual do Trabalho. A este respeito, Iamamoto também assinala:

Com tal perfil (feminino), o assistente social absorve tanto a imagem social da mulher, quanto as discriminações a ela impostas no mercado de trabalho (…). Além da marca feminina predominante, o assistente social é herdeiro de uma cultura profissional que carrega fortes marcas confessionais em sua formação histórica e alguns de seus traços se atualizam no presente por meio de um discurso profissional laico que reatualiza a herança conservadora de origem. (…) Os traços citados podem estimular o cultivo de uma subalternidade profissional, com desdobramentos na baixa auto-estima dos assistentes sociais diante de outras especialidades. Favorecem a internalização de ‘profissionais de segunda categoria’, que ‘fazem o que todos fazem’ e o que ‘sobra’ de outros profissionais. Enfim, uma profissão (…) destituída de status e prestígio (1998, p. 104-106, grifos originais).

Na verdade, subalternidade, do ponto de vista etimológico, adquire seu sentido a partir da junção dos termos sub – que significa “abaixo de” – e alter – que significa “o outro”. Deste modo, etimologicamente falando, subalternidade significa “estar abaixo de outrem, subjugado, dominado”.
Ora, se “subalternidade” é estar abaixo do outro, subjugado, inferiorizado, a subalternidade profissional seria, então, uma situação de inferioridade e subjugação que ocorre entre profissões, de modo que, uma (ou mais) exerce um certo domínio/poder ou influência sobre a outra na sociedade.
A subalternidade profissional é, portanto, uma situação de domínio/poder e influência que se estabelece entre as profissões na sociedade, tendo como principais determinantes as dicotomias:
trabalho manual/trabalho intelectual, profissões femininas/profissões masculinas e profissões menos consolidadas socialmente/profissões mais consolidadas socialmente (que não era o caso do serviço social).
Historicamente, a subalternidade profissional no Serviço Social encontra-se relacionada a muitos elementos, entre eles: sua origem ligada à caridade e à filantropia de origem religiosa -, forjando um perfil profissional mais moral que intelectual – e o perfil predominantemente feminino que se soma ao perfil religioso-moral, criando uma imagem social da profissão relacionada a boa vontade, a características femininas e a caridade. Tal imagem tem se reproduzido e ainda hoje a
profissão é predominantemente feminina.
O reconhecimento de que as bases da desigualdade de gênero estão nas construções sociais e não na biologia abre a possibilidade de transformar as estruturas sociais, de maneira a reverter os processos geradores de desigualdade e mover outros capazes de produzir igualdade.
mulheresApesar de todo este histórico, o Serviço Social no Brasil, começou um processo de questionamento as suas bases tradicionais que se configurou, num novo código de ética profissional e numa nova lei de regulamentação da profissão, que têm como pilares básicos o reconhecimento da liberdade como valor ético central, a defesa intransigente dos direitos humanos, a recusa ao arbítrio e do autoritarismo, a ampliação e consolidação da cidadania e a defesa e aprofundamento da democracia.
Diante destas modificações no Serviço Social, qual a Representação Social dos/das assistentes sociais sobre “ser mulher” hoje e se havia relação desta representação com a questão da subalternidade profissional do Serviço Social. Será que os/as assistentes sociais, de fato, conseguiram construir uma representação nova sobre o Serviço Social e sobre o “ser mulher”
que rompe com a representação tradicional?
Sobre essa base, a construção de relações de gênero é um compromisso ético. Implica a construção de estruturas participativas e igualitárias, onde as mulheres não sejam vistas como pessoas vulneráveis ou passivas, ou simplesmente como recurso útil, mas sim como agentes ativas das mudanças, que tem de ser escutadas nas várias estruturas organizativas e diferentes áreas onde trabalham, tanto na definição das ações, estratégias e políticas da empresa; como no planejamento, gestão e avaliação dos processos, assim como devem participar nos espaços onde toma-se decisões que as afetam.
Em relação a representação social dos assistentes sociais sobre o Serviço Social, os dados indicam que hoje se consolida uma nova forma de ver o Serviço Social. Existe hoje no Serviço Social novos elementos que se distanciam da representação tradicional do Serviço Social, entre eles: compromisso, luta, participação, política social. Ao mesmo tempo, aparecem elementos que sempre caracterizaram o Serviço Social na sua trajetória histórica enquanto profissão: assistência e educação.
Como podemos perceber essas caracteríticas que o assistente social conquistou ou foi e tem conquistado no decorrer dos anos são as mesmas características que as mulheres de modo geral tem adquirindo e feito chegando ao ponto de fazer diferença em vários meios, mesmo que ainda exista preconceitos e muitas barreiras para serem vencidas, assim como também para os assistentes sociais.
Ainda aparecem outros elementos que mostram uma nova forma de representar o Serviço Social: cidadania, justiça inclusão e transformação. Contudo, estes novos valores, se somam a valores que remetem a representação tradicional do Serviço Social: Ajuda, Humanização e Dedicação. Assim, se compromete com a defesa dos direitos sociais, cidadania, justiça e liberdade e com o repúdio a todas as formas de preconceito. Tal projeto, portanto, se baseia fundamentalmente na defesa dos direitos sociais e se afasta das noções de ajuda, solidariedade e dedicação que caracterizaram o Serviço Social tradicional.
Desta forma, uma primeira hipótese explicativa nos leva a crer que ao longo destes 30 anos, o Serviço Social delineou um novo projeto profissional que foi aceito e incorporado pela maioria dos profissionais (este em sua maioria esmagadora mulheres). Neste sentido, parece-nos que o Serviço Social tem uma nova forma de se ver e de se construir historicamente.
Como conseqüência deste novo projeto profissional, mas não só por isso, também se  modificou a Representação Social sobre o “ser mulher” dos assistentes sociais. Os elementos que os assistentes sociais associam ao “ser mulher” remetem a uma nova representação de mulher:
coragem, conquista, determinação, fortaleza.
Contudo, ainda aparece, como elemento central, o amor, um elemento antigo na representação tradicional sobre o “ser mulher”. Mesclam-se ainda elementos novos e antigos, temos ainda: trabalho, dinamismo e competência junto com mãe, sensibilidade, submissão e intuição.
Deste modo, as mulheres se vêem como seres fortes e decididos, mas, ao mesmo tempo, se vêem fundamentalmente como um ser de “amor”, voltado para este elemento e tendo-o como valor básico.
As mulheres têm mais elementos centrais que remetem a uma representação nova do “ser mulher”, mostrando que as mulheres se vêm hoje diferentemente da forma como os homens as vêem – nesse caso voltamos mais uma vez a um dos temas abordados no início, a representação social ligado diretamente com a ideologia e a identidade.
Por fim, a representação social sobre “mulher e Serviço Social” parece também mesclar elementos novos e antigos mais com predominância de elementos novos. Assim, aparecem: ação, cidadania, luta, fortaleza, trabalho, profissão que remetem a uma nova representação e,
sensibilidade que remete a uma representação tradicional. Ainda aparecem novamente juntos elementos novos e antigos: compromisso, direitos, coragem e determinação, junto com amor, dedicação e compreensão.
Percebe-se, portanto, uma representação social que tem em si muito mais elementos novos, construídos nas lutas e transformações sociais pelas quais passou a sociedade. Como assinala ainda Iamamoto ( 1998, p. 105):

Se a imagem social predominante da profissão é indissociável de certos estereótipos socialmente construídos sobre a mulher na visão mais tradicional e conservadora de sua inserção na sociedade, o processo de renovação do Serviço Social é também tributário da luta pela emancipação das mulheres na sociedade brasileira, que renasce com vigor no combate ao último período ditatorial, em parceria com as lutas pelo processo de democratização da sociedade e do Estado no país.

Assim sendo, olhamos este resultado com esperança, pois ele mostra que as mulheres hoje se vêem mais corajosas, determinadas, ligadas ao trabalho, cidadãs, mesmo se ainda regidas predominantemente pelo amor.
Quanto a questão da subalternidade profissional no Serviço Social, sim ela existe e que tem relação com diversos determinantes sociais e entre eles encontra-se a predominância feminina na profissão, não diferente do que acontece com várias outros meios onde a mulher esta inserida.
Deste modo, tal subalternidade encontra-se presente não só no Serviço Social, mas é um fato, também, em todas as outras profissões ditas “femininas”. Contudo, a competência teórico-metodológica e ético-política e a segurança do profissional, frente a outras profissões mais consolidadas socialmente, podem ser um contrapeso em relações institucionais quase sempre viciadas e preconceituosas.
Desta forma, tal competência e segurança na defesa da importância da profissão contribuem para modificações presentes e futuras no estabelecimento de relações de respeito e igualdade entre as diversas profissões e, como conseqüência – como nada existe de forma isolada -, contribuem também para modificações nas relações entre os gêneros.
idoso2Desta forma, o processo de modificação dos papéis femininos na sociedade e o processo de reformulação na profissão trouxeram mudanças significativas nas representações sociais acerca do Serviço Social, do “ser mulher” e da subalternidade profissional.
Concluimos com esse texto que a história do Serviço Social praticamente se confunde com a história da própria mulher. Cada luta e cada vitória que o Serviço Social tem é praticamente a vitória da mulher em todo esse constante processo de igualdade de condições e de direitos que por causa de fatores sócio-históricos a mulher esta totalmente subjulgada.
Assim como o Serviço Social diariamente tenta romper com certas representações sociais as mulheres também tem essa luta diária. Tanto as mulheres quanto as/os assistentes socias tem procurado desenvolver ferramentas que viabilize todo esse processo de mudança de ideologia pois sua identidade tem sido responsável por uma mudança palpável em todos os seguementos da sociedade. E somente com essas medidas intituiconais estabelecidas é que tanto o assistente social quanto as mulheres poderam ter e ocupar o lugar que por direito e mérito cada uma merece ocupar.

Bibliografia

CIAMPA, A.C. (1984). Identidade. In: W. Codo & S. T. M Lane (Orgs.). Psicologia social: o homem em movimento (pp. 58-75), São Paulo: Brasiliense.
CHAUÍ, Marilena de Sousa. O que é ideologia. São Paulo: Abril Cultural/Brasiliense, 1984.
GOUVEIA, Taciana Mª de V.. Repensando alguns conceitos: sujeito, rpresentação social e identidade coletiva. Recife, 1993. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Universidade Federal de Pernambuco.
IAMAMOTO, Marilda & CARVALHO, Raul de. Relações sociais e Serviço Social no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. São Paulo, Cortez; Lima/Peru, Celats, 1982.
MOSCOVICI, S. Prefácio. In: GUARESCHI, P. & JOVCHELOVITCH, S. (org.). Textos em representações sociais. Petrópolis: Vozes, 1994.
VIEZZER, Moema. O problema não está na mulher. São Paulo: Cortez Editora,
LIMA, Vera Lúcia Alvarenga Freire Moreira. O início do Serviço Social no Brasil: um feminismo

Por: Moacir Segundo
Graduando em Serviço Social (UNOPAR) e Filosofia (UFG).

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4 Respostas to “O PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA SOCIEDADE:Análise do Papel da Mulher”

  1. selmir souza Says:

    parabens,pelo seu desenvolvimento ta otimo!

  2. jailsy garcia Says:

    parabêns vc fez um ótimo trabalho, que com certeza,sera de muita importância para os acadêmicos de serviço social. que tera a oportunidade de ter uma visão do que é ser um assistente social.a sua importancia na sociedade e principalmente para aclasse menos favorecida…obrigada

  3. sibycooper Says:

    Adorei o mosaico das musas do cinema.
    Ótimo texto também.
    Parabéns!

  4. Otimo texto Parabéns! Gostei tanto que irei fazer um resumo deste artigo ,publicar na revista onde trabalho , homenageando o Dia do Assistente Social dia 15/05/12 citarei a fonte do texto Bjos

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