Archive for the Exclusão social e seu enfrentamento. Contexto brasilei Category

Exclusão Social e seu enfrentamento:Contexto Brasileiro

Posted in Exclusão social e seu enfrentamento. Contexto brasilei with tags , , , , , , , , , , , , on 20 Junho, 2008 by nusocial

1521220Fazer uma reflexão que trata da questão da exclusão social brasileira é deparar-se com a realidade de milhões de pessoas, para se mais preciso quase 50 milhões de pessoas com renda mensal inferior a R$ 80 reais per capita, cujo acesso aos serviços básicos de saúde, educação, informação e desenvolvimento social são seriamente limitados – por vezes inexistente. Nisso só estamos citando os excluídos tendo como ponto de partida a vida financeira não estamos incluídos nesse bolo ainda os deficientes os homossexual os negros e tantos outros grupos que são excluídos.
Essas pessoas que estão marginalizadas (à margem) sendo consideradas, absurdamente, como apenas uma consegüência do modo de produção capitalista. Não nos acomodando em simplesmente traçar e explanar os fatores de exclusão temos que tratar da inclusão social desses indivíduos, assim nos remeteremos a planos de inclusão social, mais conhecidos como Programas Sociais. Que na maioria das vezes são utilizados de forma paliativa ao invés de ir a raiz da questão.
Escuta os nosso ouvidos quase que com uma desculpa essa argumentação – modo de produção capitalista – que apenas não passa de uma verdade, “que veio para ficar”, e que precisa ser mudada. Mudança que só pode vim a acontecer se contar com a ajuda de toda a sociedade e sem dúvida nenhuma sendo encabeçada pelo pelo Estado que é, ou que pelo menos devia ser aquele que zelar pelo bem estar social.
Que o modo de produção capitalista é estruturalmente excludente, isto já foi demonstrado por Marx na metade do século passado. Deste ponto de vista a exclusão social não é um novo fenômemo. Pelo contrário, é ela inerente ao processo de acumulação. Este fato permitiu incluir no senso comum a concepção de que a exclusão é natural. Demonstrando que a exclusão social é uma lógica conseqüente do processo de produção capitalista.
É impossível se referir a exclusão social sem se tocar na noção de cidadania, elas estão diretamente ligadas A exclusão social simplesmente é a negação da cidadania. Dignidade humana é uma construção social e histórica como também uma concepção de cidadania.
cidadania_clip_image002Levando em consideração que “cidadania” é uma palavra chave para essa reflexão sobre “exclusão social” antes de entrarmos na questão de programas sociais é necessário uma melhor explanação do que vem a ser essa “cidadania”.

A cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social. (DALLARI, Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo:Moderna,1998. p.14)

Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, cidadania é a “qualidade ou estado de cidadão”, entende-se por cidadão “o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”. A origem da palavra vem do latim “civitas”, que significa cidade. Na Roma antiga, indicava a situação política de uma pessoa e os direitos que esta tinha ou podia exercer.
Cidadania instaura-se na era contemporânea, a partir das revoluções burguesas que culminaram na declaração dos direitos humanos dos Estados Unidos da América do Norte, e na Revolução Francesa. Essas revoluções romperam com o princípio de legitimidade que caracterizava o absolutismo, baseado nos deveres dos súditos, e deram base a um novo tipo de Estado, o Estado de Direito. Nele, todos os cidadãos são iguais perante a constituição vigente, que é a lei maior de um Estado, com a qual todas as leis têm de se conformar.
Na sua acepção mais ampla, cidadania é a expressão concreta do exercício da democracia. Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade e à igualdade perantea lei. É, em resumo, ter direitos civis, em outras palavras, é ter acesso a tudo que os excluídos não tem como, participar da evolução da sociedade.
os-pobres-e-a-pobrezaNo entanto, os direitos civis e políticos não asseguram essa democracia sem os direitos sociais, sendo aqueles que garantem a participação do indivíduo no: direito à educação, ao trabalho, ao salário justo, à saúde, a uma velhice tranqüila. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais e se apropriar desses direitos fazendo-os valer, para que as leis não fiquem apenas no papel.
A cidadania é exercida, quer em nível nacional, quer em nível estadual ou municipal. Ela se efetiva sobretudo no âmbito das relações mais próximas da pessoa como: no bairro onde a pessoa reside; no trabalho; na família na escola e nas diversas instituições sociais.
A cultura predominante no Brasil constrói a sociedade divididas entre proprietários e não proprietários, entre elite e ralé. A concepção de exclusão social como perda de uma conquista, pressupõe a anterior universalidade da cidadania. No caso brasileiro este patamar de universalidade da cidadania não foi ainda consagrado nem na sociedade nem no Estado. Em primeiro lugar na sociedade e por conseqüência no Estado.
O Estado brasileiro consolida uma determinada concepção de inclusão não garantindo os direitos sociais em suas ações. Esta caracteriza as atenções sociais como filantropia e não a assumem como responsabilidade pública.
Quando os titulares dos direitos políticos eram apenas os proprietários, era natural que a maior solicitação dirigida ao poder político fosse a de proteger a liberdade de propriedade e dos contratos. A partir do momento em que os direitos políticos foram estendidos aos que nada têm, isto é, os excluídos, tornou-se igualmente natural que aos governantes, que acima de tudo se proclamavam representantes do povo, ouvissem e fizesse cumprir as reivindicações, com os novos cidadãos que estavam habilitados e certos de seus direitos sociais – principalmente os excluídos.
O “famoso” Estado de Bem-Estar Social caracteriza-se pela intervenção do governo no âmbito social, uma vez que as estruturas são desiguais. Contudo, num “Estado social” que é ao mesmo tempo capitalista, a cidadania é quem promove os fins para legitimação das ações estatais.
Todavia, o Estado intervencionista não alterou as bases e as relações econômicas e políticas do capitalismo. Os problemas assistenciais – relacionados ao trabalho, seguro social, habitação, saúde e educação nada mais são que conseqüências da industrial capitalista. Nesse sentido, as políticas social-assistencialistas são um meio para compensar o processo de deterioração da vida do povo e resgatar a estabilidade de reprodução do poder e dominação da classe dominante.
É importante lembrar que as políticas voltadas ao atendimento das demandas das classes excluidas, como meio de acesso aos bens e serviços públicos, estabilizando tensões sociais, desarticular a resistência ideologica deficiente e colocar a sociedade para caminhar rumo a um caminho menos conflituoso simplismente é obrigação de qualquer governo.
A relevância da questão cultural reforça a tese que não se avançará na consolidação das garantias sociais enquanto a sociedade civil não caminhar solidária na mesma direção não somente com apoio concensual mas de fato “colocando a mão na massa”.
A exigência de padrões mínimos precisa fazer parte do padrão de dignidade que a sociedade quer ver reconhecida entre seus pares. Sem dúvida, o Estado e o governo, enquanto sua forma de administração, devem consolidar e regular tais garantias exigindo e cobrando, antes de mais nada, a introdução de um outro padrão de sociedade fundada na civilidade ou na ética civilizatória – quem sabe a começar pela política.
Apartir desse momento começaremos a trabalhar, nessa reflexão, de forma a contextualizar a realidade da sociedade brasileira colocando e exemplificando maneira mais palpáveis a realidade dos excluídos como também os programas de inclusão.
A particularidade da história brasileira mostra um país demarcado por uma sociedade colonizada, que já partiu do conceito excluir entre colonizador e colonizado. Trazer o tema para o Brasil é somar a essa cultura o processo de escravidão que seqüestrou a condição humana à elite e fez de negros e índios objetos de demonstração de riqueza.. Ser trazido para a colônia era um castigo de degradação para alguns portugueses. Tratava-se portanto de um território de segregação – e exploração de riquezas. Todo esse processo histórico dificuldades ate hoje a particularidade brasileira em construir a universalidade de condição humana a todos os brasileiros.
É bom se ter em mente que a existe uma distinção entre exclusão social e pobreza. Por conter elementos éticos e culturais, a exclusão social se refere também à discriminação e a estigmatização. Já a pobreza define uma situação absoluta ou relativa, ligada ao que a pessoa tem. Não entendendo estes conceitos como sinônimos quando se tem uma visão alargada da exclusão, pois ela estende a noção de capacidade aquisitiva relacionada à pobreza a outras condições de atitude, comportamentais que não se referem tão só à capacidade de não retenção de bens.
Consequentemente, pobre é o que não tem, enquanto o excluído pode ser o que tem sexo feminino, cor negra, opção homossexual, é velho etc. A exclusão alcança valores culturais, discriminações. Isto não significa que o pobre não possa ser discriminado por ser pobre, mas que a exclusão inclui até mesmo o abandono, a perda de vínculos das relações de convívio, que necessariamente não passam pela pobreza.
Como diz o relatório do Banco Mundial, este seria um padrão de vida obsoleto: pobreza não é o mesmo que desigualdade. Há que enfatizar essa diferença. Enquanto pobreza diz respeito ao padrão de vida obsoleto de uma parte da sociedade – os pobres -, desigualdade se refere a padrões de vida relativos de toda a sociedade, mas a desigualdade mínima (situação em que todos são iguais) é possível tanto com pobreza zero (ninguém é pobre) quanto com pobreza máxima (todos são pobres)”. (Banco Mundial 1990).
mapaPartimos da análise das políticas públicas do Seguro Social no Brasil e suas especificidades para conectá-lo com as políticas sociais da assistência social . O primeiro (Seguro Social), parte da presença do trabalho, da renda, da contributividade e da redistributividade. O segundo (políticas sociais da assistência social), pelo contrário, dirige-se aos miseráveis social, econômica e culturalmente. São os excluídos de direitos de cidadania, os não-contribuintes, os destinatários de todo o Sistema Social, são os sem trabalho e sem previdência, é a esses últimos que vamos mais nos deter.
Assistência Social tem como fundamento o sistema de Seguridade Social e como princípio a solidariedade. Parte de uma intervenção do Estado no meio econômico-social e, por conseguinte, visa a redistribuição dos bens sociais, pela instituição da renda, com especial atenção ao idoso, indivíduo carente, e ao indigente. No âmbito da política pública do “Estado Protetor”, o indigente é sempre carente, todavia o carente nem sempre é indigente.
A dimensão do risco social nesta perspectiva, é o da “necessidade” face a uma situação de falta . Nestes termos, as políticas sociais destinam-se a assegurar um mínimo de bem-estar e um mínimo de subsistência definido por lei.
O Estado brasileiro trouxe no bojo da Magna Carta (Constituição Federal) alguns dispositivos que instauram um Estado de Seguridade Social. Enfatiza no preâmbulo, a garantia dos valores de “igualdade, bem-estar, justiça e direitos sociais”. Os artigos 1º e 3º dispõem como princípios fundamentais a “dignidade da pessoa humana”, “erradicar a pobreza” e “promover o bem de todos” respectivamente.
A assistência social não se confunde com a previdência social. Enquanto a previdência conta com o caráter de seguro, de base profissional-contributivo, a assistência tem como fim a solidariedade, o atendimento a “quem dela necessitar” e, em regra, seus benefícios e prestações não dependem de prévio pagamento.
O Discurso sobre a “exclusão social se faz presente tanto no cotidiano metodológico acadêmico, quanto na realidade da maioria da população brasileira, desafiando constantemente as políticas públicas direcionadas a suprir as necessidades básicas desta população, como aponta a Constituição Federal.
O agravamento da exclusão social impulsionada pelas mudanças no mundo do trabalho, reforma do Estado e o aprofundamento de conflitos sociais, expressão das relações entre Estado e a Sociedade Civil são questões que necessitam de uma intervenção teórico metodológica neste processo, para que se seja feito um trabalho continudado de inclusão desses excluídos.
Dentre vários planos de ação que traz em sua estrutura toda uma metodologia de aplicação esta o Programa Fome Zero que se insere como um conjunto de ações que esta sendo aplicado pelo governo federal, com o objetivo de compor uma Política Nacional de Segurança Alimentar no combate à fome no país

“O mapa da fome no Brasil indica um total de 44 milhões de brasileiros e brasileiras ameaçados. A região Nordeste se destaca. Representando 18% do território nacional, com uma população de cerca de 45 milhões de pessoas (28,5% da população total do Brasil), 42% da população vivem abaixo da linha da pobreza (renda mensal inferior ao equivalente a 60 dólares). 71% do total das propriedades rurais têm menos de 10 hectares e ocupam menos de 5% da área total da região, enquanto 44% da área total estão ocupados por propriedades com mais de 500 hectares, que representam apenas 1% do número total de propriedades. 50% dos pobres do Brasil vivem na região do Nordeste”. (Cartilha da Mobilização Social do Programa Fome Zero).

No Programa Fome Zero articulam-se três conjuntos de políticas, tendo como foco a segurança alimentar: Políticas Estruturais (voltadas às causas profundas da pobreza: geração de emprego e renda, previdência, reforma agrária ); Políticas Específicas (voltadas para atender diretamente as famílias carentes no que se refere ao acesso ao alimento) e as Políticas Locais( ações implementadas por prefeituras e pela sociedade civil organizada em cada município ( apoio à agricultura familiar, banco de alimentos, feiras do produtor, restaurantes populares).
fomeProgramas como Fome Zero e Bolsa Família estão atualmente sendo considerados assistencialistas, pois mesmo que trazendo em seu plano de ação a questão da geração de renda, ele não tem dado o efeito esperado no tocante a esse e a outros diversos pontos. Infelizmente, esta muito aquem daquilo que é e daquilo que deveria oferecer a essa classe excluída, nesse processo de construção/resgate da cidadania desses novos cidadãos.
Pois, “social não é só dar dinheiro” muitas pessoas são empreendedoras, mas não adianta dar apenas dinheiro a elas, pois algumas nem sequer sabem ler. É aquela velha história “tem que ensinar a pescar e não somente dar o peixe”.
Nessa questão de emprego e renda entra a criação de cooperativas familiares de trabalho com o apoio de Fomentos (crédito) Federais, Estaduais e ate mesmo Municipais que geram renda e sustentabilidade para a comunidade e tem na maioria das vezes sido uma boa oportunidade de inclusão, quando vem acompanhado de políticas de assistência ao empreendedor.
Outro programa do Governo Federal chamado Peti (Programa de Erradicação do Programa Infantil) tem como foco de inclusão as crianças vítimas de exploração de mão-de-obra e sem dúvida ouve um avanço na educação e na geração de renda dessas famílias. Mas, ao completar 16 anos, idade em que os jovens deixam o programa, ficam sem ter o que fazer. Nesse sentido estamos incluindo ou excluindo? Nenhum outro projeto foi pensado para dar suporte ao Peti.
Outro lado que não podemos deixar de lembrar é o lado da população rural que tem diminuido a cada dia.
A exclusão social no campo inclui elementos como a discriminação contra a mulher no meio rural, o trabalho escravo nas grandes fazendas – cujos donos são, muitas vezes, políticos – e a dificuldade de acesso à educação. Isso em falar da falta de políticas públicas para o pequeno agricultor e da quase inexistência de universidades no campo. Esse último problema, é uma das causas do êxodo rural entre os jovens, que deixam o campo em busca da continuação dos estudos na cidade grande, isso nos raricimos casos de conclusão de uma das fases, seja básica, fundamenta ou média – o que é quase improvável de acontecer.
Com isso, a produção de conhecimento e a formação de profissionais ligados à terra ficam extremamente prejudicadas. O campo não consegue segurar as pessoas que querem estudar e que, com a especialização, poderiam ajudar na construção de uma comunidade rural mais desenvolvida.
Todos projetos de fortalecimento da agricultura familiar, com políticas de educação e saúde para o trabalhador do campo tem, sem dúvida, gerado resultados positivos mas esta caminhando lentamente e não tem atendido nem 10% da populaçãona que tinha que ser atendida por esse tipo de projeto de inclusão.
Não podemos deixar de citar ainda a necessidade de projetos de inclusão que visem tirar da prostituição milhares de mulheres as colocando e disponibilizando outros meios de sustento e também as capacitando – muitas vezes alfabetizando – apresentando e dando oportunidade de outro modo de vida mais digno a essas mulheres de vida nada fácil ao contrário da forma que são conhecidas: “mulheres de vida fácil”.
Combatendo a protituição como um todo com certeza também estaremos tratando a prostituição infantil que é uma aberração e uma vergonha nacional.
Todo país de primeiro mundo, tem como diferencial a sua “Educação”, essa incontestavelmente é uma palavra-chave em todo o processo de inclusão. O Brasil já melhorou muito seu ensino público mais esta muito a quem, do que devia ser e ter.
A educação deficiente coloca em debate muito mais que uma simples forma de se dar condições de se estudar, ela coloca em questão a forma de acesso uma vez que é praticamente impossível suprir toda a demanda com escolas e faculdade públicas para o acesso de todos a educação. Nesse ponto entramos em um terreno escorregadio e problemático.
Vamos nos deter e tomar como exemplo o acesse as Univerdades Públicas.
Hoje existe e esta em pleno funcionamento o maior projeto já visto no país de inclusão à Universidades – e se hoje tenho (eu) a oportunidade de fazer um curso superior é porque sou beneficiado pelo Prouni (bolsa).
O Prouni (Programa Universidade para Todos) é um projeto do governo federal que tem como objetivo reservar vagas em instituições privadas de ensino superior para alunos de baixa renda. O projeto é destinado à concessão de bolsas de estudo integrais e parciais de 50% (meia-bolsa) para cursos de graduação tradicionais (duração de quatro anos) e seqüenciais de formação específica (dois anos).
Para ter direito à bolsa integral, a renda per capita familiar (por pessoa da família) do estudante não poderá ser superior a 1,5 salário mínimo. Já a bolsa-parcial poderá ser concedida para estudantes com renda per capita familiar de até três salários mínimos .
Além disso, o aluno deve ter cursado todos os anos do ensino médio em escolas públicas ou, ainda, em escolas particulares, mas com bolsas integrais – professores da rede pública que desejem cursar licenciatura ou pedagogia também são beneficiados pelo Prouni.
A seleção dos estudantes que desejam ganharão as bolsas é feito por meio do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) primeiro, pelos resultados das provas a que o candidato é submentido e depois pelo perfil socioeconômico.
Sem dúvida, esse projeto tem se destacado como uns dos projetos de maior sucesso atualmente, com a inclusão só no ano passado de mais de 150 mil vagas.
universidade_001Contudo, podemos perceber que devido ao grande e crescente número de universidades particulares em todo o país o governo teve que interir para que todo esse processo fosse mais democratido e não gerasse um impacto social tão grande de exclusão. Isso porque as universidade pública (pelo fato de ser de graça) deviam ser destinada exclusivamente para alunos vindos das escolas públicas (que tem menas condições financeiras), mas devido ao grande número de candidatos o processo seletivo, conhecido como vestibular, previligiou que tinha mais estudo pois sempre é um processo muito afunilado e só que teve uma educação de qualidade consegue entrar. Passando assim a Universidade Pública praticamente a ser utilizada pelos mais favorecidos e os menos beneficiados e sofridos são obrigados a fazer seus cursos, se quisesem, em univerdidades pariculares.
Mas, o Prouni ate hoje gera polêmica no que se refere a seleção do candidato quanto perfil socioeconômico. Todo ano alerta-se para a confusão existente sobre a questão de raça ou de cor da pele, que é fator determinante como também o fator econômico. É bom lembrar que muitas vezes esses dois itens são coisas diferentes.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE):

(…) até 1999, a taxa de analfabetismo entre negros e pardos era de 20%, contra 8,3% entre os brancos. Quanto ao tempo de estudos, há uma diferença de dois anos entre negros (4,5 anos), pardos (4,6) e brancos (6,7). Outro dado interessante que associa renda e educação à exclusão da população negra nas escolas é que ao final da década de 1990, para cada ano a mais de estudo, os brancos tiveram aumento de um salário mínimo. Entre a população negra e parda, esse aumento foi de meio salário mínimo.

A quem diga que as tais cotas, criadas para ajudar, por vezes atrapalham, emperradas pela burocracia. Além disso, é necessário se chamar a atenção de todos para importância da coerência do discurso com a prática, porque não adianta discutir e não fazer nada para promovê-la. Deve haver uma integração entre Estado e Município para a melhoria da educação e a construção de mais escolas e não deixar que por causa de uma briga política entre o prefeito e o governador do estado, a situação não se resolva. Não adianta falar em projetos educacionais na educação se não há investimento em infra-estrutura.
Não podemos esquecer de citar a inclusão dos portadores de deficiência física que hoje são por volta de 24,6 milhões de pessoas com alguma deficiência (IBGE).
No plano de governo, o que se vê são programas, propostas, projetos, leis e decretos, que ficam, na maioria das vezes, só no papel. Programas similares e simultâneos são lançados em duas ou três pastas, sem que haja integração de objetivos e metas entre eles.
Muitas vezes acontecem ações paralelas entre o governo e a iniciativa privada, que ficam desintegradas, superpostas, sem consistência e dirigidas a pequenos grupos, gastando verbas sem mudar o quadro de exclusão existente. Essas ações não são permanentes, pois a cada mudança de governo são interrompidas, esvaziadas, perdendo a continuidade e a abrangência, sendo que outras aparecem em seus lugares para “fixar” a plataforma de quem está no poder.
Uma lei que tem vingado e sido um exemplo não só de socialização e inclusão mas também de fiscalização é a “Lei de Cotas” que obriga a contratação de 2% a 5% de funcionários com deficiência e que a cada dia, mais as empresas buscam se enquadrar.
Segundo, João Carlos Caribé do site http://www.flash-brasil.com.br:

Muitas empresas, apesar dos seus esforços, têm encontrado dificuldades para desenvolver projetos bem estruturados, que cumpram as exigências da Lei de Cotas. Elas esbarram nas discriminações do passado. Deficientes com freqüência eram excluídos, pela própria família, do ensino com qualidade e do convívio social. Pessoas com diferentes tipos de deficiência podem exercer praticamente qualquer atividade profissional. Nesta fase de transição, entretanto, encontrar mão-de-obra qualificada tem sido um desafio.

Nos Estados e Municípios, tem que existe uma política efetiva de inclusão que viabilize planos integrados de urbanização, de acessibilidade, de saúde, educação, esporte, cultura, com metas e ações convergindo para a obtenção de um mesmo objetivo: resguardar o direito dos portadores de deficiência como também projetos de inclusão para uma vida com desenvolvimento.
A necessidade de desenvolvimento de métodos de análise e de ação com maior inserção junto ao setor popular, buscando contribuir para a autoorganização comunitária, apresenta-se como desafio para a Universidade Pública.
O curso de Serviço Social tem envolvido acadêmicos nesta experiência, e tem aberto espaços de participação continuada nos trabalhos de mapeamento da fome e acompanhamento dos empreendimentos produtivos que vêm brotando destas ações, referendando assim os objetivos da Universidade Pública que é a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
A partir dessas considerações, podemos pensar e discorrer seguros sobre os problemas da nação brasileira. Podendo observar que as instituições do Estado estão fragmentadas, sendo incapacitadas de contestar as transformações do cenário globalizado e as múltiplas demandas sociais internas, não dando condições à esfera estratégica do governo de continuar coordenando o desenvolvimento pleno da nação.
Difundir o tema de exclusão social deve estar presente no dia-dia de toda população, para que de fato se caminhe continuamente num padrão de dignidade exigido pela sociedade para todos os brasileiros.
hands12A presença da exclusão precisa se transformar numa manifestação de indignação da sociedade, o que implica uma estratégia para além de um conceito acadêmico, a fim de que a provisão de mínimos sociais de responsabilidade da lei nacional de assistência social, a LOAS, se efetive com legitimidade social.
Do ponto de vista da lei nacional de assistência social, a LOAS, há muito a percorrer na construção de mínimos de social, pois significa romper também com a cultura do não-direito e da não-política social presente nessa área de ação social. Cabe, aqui, a mágica em transformar essa filantropia de benefício na filantropia de cidadania baseada nos direitos sociais ou na dignidade cidadã.

Bibliografia

Associão Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social, ABEPSS: http://www.abepss.ufsc.br
CARVALHO, Raul de. Modernos agentes da justiça e da caridade: notas sobre a origem do Serviço Social no Brasil. Serviço Social e Sociedade. São Paulo: Cortez, n. 2, mar. 1980
DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos da Pessoa.10ª ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1994
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Aurélio básico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988
Inclusão da Pessoa com Deficiência Física no Mercado de Trabalho:
http://www.flash-brasil.com.br/?q=node/180
Mapa da Exclusão e Inclusão Social no Brasil:

www.dpi.inpe.br/geopro/exclusao/oficinas/metodologia_mapa
Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar. Política de
Segurança Alimentar para o Brasil: Programa Fome Zero. Brasília, 2003.
NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. Exclusão social no Brasil: algumas hipóteses de trabalho e quatro sugestões práticas. In: Cadernos do CEAS n.152, jul/ago.1994.
NOGUEIRA, Maria das Dores Pimentel (org). Extensão Universitária: diretrizes conceituais e políticas. Belo horizonte: PROEX/UFMG, 2000.
Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Movimentos Sociais. Movimentos sociais na contemporaneidade. São Paulo, PUCSP, 1997, n.2.
SINGER, Paulo I. Um mapa da exclusão social no Brasil. In: Globalização e exclusão. São Paulo: Imaginário, 199?, p.75-113.
SPOSATI, Aldaísa. Vida Urbana e gestão da pobreza. São Paulo: Cortez, 1988.

Por: Moacir Segundo
Graduando em Serviço Social (UNOPAR) e Filosofia (UFG).

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.