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Natureza de Ação no (em) Serviço Social

Posted in Natureza de Ação no (em) Serviço Social on 20 Maio, 2008 by nusocial

           

           A expressão Serviço Social é de origem anglo-saxônica e foi utilizada pela primeira vez nos EUA, em 1904, para designar uma escola em Boston para profissionais que atuavam com assistência social. Na época, o conceito tinha forte ligação com práticas beneficentes.

O Serviço Social se organiza como profissão em um determinado momento histórico, como uma estratégia do capital para fazer frente às demandas postas pela questão social produzida no interior da sociedade capitalista. A profissão surge com a ascensão da sociedade burguesa no século XIX. Assim, com o aparecimento de classe sociais, a burguesia (classe social dominante) necessitava de um profissional que cuidasse da área social assistindo a classe proletária. No momento, não existia uma metodologia ou teoria acerca da profissão ou o que era a mesma.

Tiveram papel fundamental autores como Augusto Comte, Durkheim, Weber e Marx que foram verdadeiras profetas/testemunhas do fenômeno da industrialização que mudava não só a economia mas também toda a estrutura social e também deles vieram as primeiras teorias de ultrapassar os conflitos sociais, a desumanidade e a desigualdade. Fizeram estudos “sociais” para criar mecanismos de normalização e de combate a esses abusos que marginalizavam grande parte da população.

Os conceitos de Durkheim (fato social), Max Weber (ação social) e Karl Max (classe social), são apresentados como tentativas de explicar a relação, indivíduo e sociedade.

O Serviço Social, desde sua origem, experimenta a contradição de sua postura enquanto profissão. A preocupação da burguesia, era criar formas alternativas que permitissem ajustar aos interesses o capital, tanto os movimentos dos trabalhadores como a expansão dos problemas sociais, os quais a burguesia queria ocultar: exploração, opressão, dominação, acumulação da pobreza e generalização da miséria, segundo Martinelli (1987):

 

A origem do Serviço Social como profissão tem, pois, a marca profunda do capitalismo e do conjunto de variáveis que a ele está subjacente – alienação, contradição, antagonismo. É uma profissão que nasce articulada com um projeto de hegemonia do poder burguês, gestada sob o manto de uma grande contradição que a impregnou. (p.: 56)

 

O processo de trabalho está subordinado ao domínio do capital. Viver na sociedade burguesa é viver sob o signo do capital, sob a obrigação de venda da força de trabalho e, numa na outra extremidade, numa situação privilegiada, deter a propriedade do capital.

Com o capitalismo, se levanta a sociedade de classe e se institui um novo modo de relações sociais, passando pela posse privada de bens. Desta forma o capitalismo era uma cisão, de um lado a classe que possui a propriedade dos bens produzidos socialmente – a burguesia – e de outro a classe que vende sua força de trabalho como uma mercadoria com baixo custo no mercado – a classe trabalhadora.

Considerando-se que a burguesia é composta por uma elite, com poucos membros, conclui-se que há uma exploração da maioria pela minoria e por isso a luta de classe se transforma na luta pela superação da sociedade burguesa.

A Revolução Industrial se encontra em um intenso “fazer-se”. É um mundo em que a ciência se desenvolve aceleradamente, em que o homem percebe que pode alterar sua relação com a natureza não mais dependendo exclusivamente dela; ele é capaz de alterá-lo e, nesta alteração, a ciência assume importante papel. É um mundo em que se modificam as relações sociais, em que surge o proletariado, em que as máquinas se aperfeiçoam e apresentam maior produtividade que os homens. Em resumo, é um mundo em que o homem passa a ter o controle sobre certos aspectos físicos; por outro lado, é um mundo em que cresce o proletariado urbano que trabalha, na maioria das vezes, em condições de miséria.

O Serviço Social tem na Questão Social sua base e sua fundação como especialização do trabalho. A Questão Social é aprendida como um conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista madura que tem uma raiz comum: A produção social é cada vez mais coletiva, enquanto a apropriação dos seus frutos mantém-se privada. Para isso é levantado duas explicações:

A primeira é que a profissão que emerge de um determinado conflito social, vindo da profissionalização da filantropia, das damas de caridade (moças de família rica). Conceito que foi mantido até os anos de 1960.

Já a segunda explicação expõe que o Serviço Social nasce para atender aos interesses do capital. Com o desenvolver do capitalismo, surge cada vez mais a desigualdade social, sendo esta cada vez mais gritante. Para amenizar este conflito, e agindo sobre as expressões da Questão Social, surge o Serviço Social, que assume um posicionamento político.

Então como podemos perceber o Serviço Social surge da emergência da Questão Social do conjunto das expressões da desigualdade social, econômica e cultural, ou seja, problemas da sociedade capitalista madura, do antagonismo entre o Capital e o Trabalho.

Ate o momento tudo que foi exposto foi colocado de modo universal, mas deste momento em diante envolveremos o Brasil em nosso diálogo.

Entre os anos 1930 a 1945 existiu grandes momentos que coincidindo com dois grandes fatos político-sociais: a Segunda Guerra Mundial (Europa) e o período do Estado Novo (Brasil). Os modelos importados não se enquadravam na realidade brasileira e fizeram com que o Serviço Social fosse assistencial, caritativo (caridade), missionário e beneficente.

Em 1936 foi criada a Primeira Escola de Serviço Social do Brasil em conseqüência da expansão das práticas de assistência social. Ainda marcadas pelo assistencialismo e de caráter fortemente religioso, a Escola de Serviço Social foi criada em São Paulo, por iniciativa de Maria Kiehl e Albertina Ramos, formadas na Escola de Serviço Social de Bruxelas, dirigida pela pioneira na área Adèle de Loneux. O curso tinha caráter de formação técnica e recebia, ainda, forte influência do pensamento neotomista1, então predominante nos meios cristãos e que embasou as primeiras escolas da área. Era a concepção do homem como ser livre, inteligente e social, com direito de encontrar na sociedade os meios necessários à sua sobrevivência e pleno desenvolvimento como pessoa humana.

Entre os anos de 1945 a 1958, acompanhando o desenvolvimento da tecnologia moderna, científica e cultural houve maior intercâmbio entre o Brasil e os Estados Unidos. Os profissionais conscientizaram-se da necessidade de criar novos métodos e técnicas adaptados à realidade brasileira.

A partir da década de 1960 até hoje, caracterizando-se pelo movimento de reconceituação e tendo como marco referencial a procura de um modelo teórico-prático para nossa realidade.

O Serviço Social fundamenta sua teoria Ciências Sociais, para inserir-se nos fenômenos em transição, procurando capacitar o homem para que lute, construa e contribua para as reformas sociais. Provando mais uma vez que os Serviço Social é uma construção histórica, sua constitucionalidade deve ser analisada na dinâmica societária.

Na sociedade contemporânea, nós vamos viver a Globalização, que trouxe algumas complicações para a classe trabalhadora. Aliado a ela, temos a Revolução Tecnológica, caracterizada pela microeletrônica (digital), comandadas por um cérebro cibernético (inteligência virtual). Avanço na medicina (clonagem, células tronco, transgênicos) elementos que caracterizam a pós-modernidade. Também com ela, viveremos um processo de Neoliberalismo, que é a organização do Estado (Novo Liberalismo). Isto é problemático, porque o Estado será chamado para atender demandas econômicas, mas irá atenderem com menos proporção as demandas sociais.

A Globalização é um processo de livre circulação de mercadorias (capital, dinheiro, produtos), entendendo também a circulação de riquezas. Vindo o agravamento da Questão Social, além de toda problemática, a desarticulação de sindicatos, achatamento salarial, aumento da miséria, violência, contraversão. Fenômenos revoltantes de todo um complicante, que “surgirão” batendo à porta de um assistente social em busca de auxílio. Os Assiatentes Sociais trabalham na tensão entre a reprodução da desigualdade que gera exclusão, desemprego, e outro que causa a rebeldia e resistência. Entre estes dois movimentos, ele faz pressão sobre o Estado,juntamente com a população, através de fóruns populares,passeatas,manifestações diversas,para que se criem situações que possam contribuir na superação destas dificuldades. Como diz Marilda Vilela Iamamoto:

 

“Pensar o Serviço Social na contemporaneidade requer os olhos abertos para o mundo contemporâneo para decifrá-lo e participar da sua criação. Um dos maiores desafios que o Assistente Social vive no presente é desenvolver sua capacidade de decifrar a realidade e construir propostas de trabalho criativas e capazes de preservar e efetivar direitos, a partir de demandas emergentes no cotidiano. Nós assistentes sociais temos ousado sonhar, lutar, resistir e apostar na história, construindo o futuro no presente. (p. 19)

 

A Questão Social é a matéria-prima do trabalho profissional e a profissionalização do Serviço Social esteve relacionada com a crescente intervenção do Estado no processo de regulação e reprodução social, por meio de políticas sociais passando a gerir os conflitos de classe, assim o Serviço Social participa da criação e prestação de serviços sociais que atendem as necessidades sociais.

Hoje é considerada como uma profissão de caráter liberal, assegurado por lei. É eminentemente prática, que exige respostas, competências práticas e rápidas. O profissional deve ser livre de preconceitos, e entender o outro, os contextos em que o indivíduo recorreu ao auxílio, independentemente da situação em que se encontra. O profissional de Serviço Social está na instituição para garantir os direitos do cidadão.

O Brasil é um país regido pelo sistema de produção capitalista, tendo como característica principal uma extrema concentração de renda ao lado da produção e reprodução de profundas desigualdades sociais.

Este sistema baseado na exploração da força de trabalho pela classe dominante, detentora dos meios de produção, traz como conseqüência precárias condições de vida para a maior parte da população. Esta população pobre, destituída de condições mínimas de existência, fica a mercê da filantropia que volta a ser estimulada, através da construção de uma rede de solidariedade ou são atendidas através das Políticas Sociais destinadas a dar respostas às necessidades da população. As Políticas Sociais constituem-se um instrumento do Estado para enfrentar a questão social, contribuindo para mantê-la dentro dos limites toleráveis.

O Estado que é o representante de uma ordem social determinada, necessita da prática profissional do Assistente Social, para diminuição da problemática social por ele mesmo gerada, e para controlar ou canalizar os novos conflitos. Deixando a visão de que a desigualdade social é um fator natural. Naturalmente não podemos apelar para uma fórmula mágica que cura todos os males da humanidade, mas assumindo a busca e a garantia da política social, de forma organizada e planejada.

O Assistente Social é o profissional qualificado que, privilegiando uma intervenção investigativa, através da pesquisa e análise da realidade social, atua na formulação, execução e avaliação de serviços, programas e políticas sociais que visam a preservação, defesa e ampliação dos direitos humanos e a justiça social . Não confundindo o Assistencialismo com assistência, nem deixando a demagogia tomar conta da realidade.

Fico pensando eu… se quando Durkheim, Weber, Max desenvolviam suas teorias sociais imaginavam que um grupo tão seleto de profissionais (assistentes sociais) utilizariam suas teorias tão nobres para tornar a sociedade mais igualitária, creio eu que nosso patrónomos estão orgulhos de todo serviço que podemos fazer hoje para tornar nossa sociedade em uma sociedade melhor. Sim… Tenho certeza que eles sabiam que isso iria acontecer.

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  •  FERNANDES, E. (2002), O Associativismo no tempo da globalização: voluntariado e cidania democrática. Intervenção Social nº 25/26, Novembro de 2002.
  • SCHUTZ,A. (1978), Fenomenologia e relações sociais – coletânea de textos de Alfred Schutz, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1979.

  • http://www.assistentesocial.com.br/links.html. Acesso em: 09/05/2007

 1 Neotomismo é a corrente filosófica que resgata o Tomismo, a filosofia do pensador italiano Santo Tomás de Aquino, com o objetivo de resolver problemas contemporâneos. Para o Neotomismo, toda a filosofia moderna, a partir de Descartes, constituir-se-ia em erros e equívocos, responsáveis pela crise do mundo moderno. Na visão neotomista, é inaceitável privilegiar interesses de ideologias como o neoliberalismo ou comunismo por exemplo, ou instituições como empresas e o governo, em detrimento do direito do ser humano a uma vida digna e tudo que ela acarreta: a liberdade, a saúde, o emprego e a habitação. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Neotomismo)

Por: Moacir Segundo

Graduando em Serviço Social (UNOPAR) e Filosofia (UFG).

 

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