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Reflexão político-ético-social da sociedade brasileira

Posted in Reflexão político-ético-social. Na sociedade brasile with tags , , , , , , , , , on 20 Junho, 2008 by nusocial

320991Interessante e muito essencial é parar para se refletir sobre a nossa sociedade ou mais precisamente como deveria ser nossa sociedade. Temos como já é sabido uma linda constituição, atualmente uma verdadeira utopia se levarmos em consideração que ela deixou de ser a lei magna para ser apenas um ponto de referência. Perguntaria sem dúvidas Aristóteles: “que bem comum é esse?!”.
Como um trabalho de assistência social pode ser desenvolvido se a própria lei que foi feita para proteger esta sendo “subjugada” pelos dito do Capitalismo “moderno” que é um dos maiores, para não dizer o maior vilão da desigualdade social.
Outro ponto que temos que ressaltar em nosso trabalho de “reflexão sobre a sociedade brasileira” é a questão dos fundamentos éticos.
Infelizmente em nosso país hoje o Governo Soberano, como diz a própria constituição, esta muito mais preocupado com questões de política partidária e interesses pessoais do que propriamente com a qualidade de vida do povo brasileiro. Lembra daquele “bem supremo” tão dito por Aristóteles, no Brasil ele não vem nem de viagem de férias.
No Brasil, historicamente, a maior parte da população está submetida a processos de alienação cultural e educacional, excluída do acesso a bens e serviços que a sociedade atual pode oferecer aos seus cidadãos. Chega a ocorrer degradação do próprio sentido do que seja efetivamente viver como um ser humano, em algumas lugares do país.
Neste contexto são efetivamente “cidadãos” aqueles que possuem renda suficiente para adquirir esses bens e serviços. Os excluídos não possuem acesso de maneira satisfatória à saúde, educação, saneamento e outros serviços. Por mais que se esteja ou não em estagnação econômica, o Governo não consegue oferecer meios para que seus habitantes possam obter por si próprios melhores condições de vida.
materiaEsses excluídos precisam ser inseridos na sociedade organizada, tanto através de programas sociais governamentais, quanto ações de obras filantrópicas, beneficentes, ações empresárias, trabalhos voluntários e outros de cunho não-governamental para não continuarem a serem eternamente marginalizados. E mesmo que o setor governamental aumentasse a sua capacidade, a fim de incluir nos programas um maior número populacional, assim mesmo, ainda teríamos pessoas não inseridas nos programas elaborados pelo governo.
É lamentável verificar que não só a falta de ética em todos os setores – mas principalmente na política – tem contribuído para o aumento da desigualdade social, mas também toda e qualquer passividade de indivíduos que formam essa mesma sociedade. Todos nos pecamos (e pecamos muito) por nos deixar cair na normalidade – anestesiados – a corrupção, a violência, a miséria e todas as outras anormalidades e vícios de nossa sociedade brasileira.
Segundo Simon Schwartzman (2006, p.04):

As leis, sobretudo em um país como o Brasil, estão longe de ser perfeitas, e é quase impossível obter resultados importantes na ação pública obedecendo às formalidades estritas da legislação. Se Maquiavel é forte demais para ser invocado, sempre podemos citar a Max Weber e a ética da responsabilidade, como faz Fernando Henrique Cardoso em suas memórias (Cardoso and Setti 2006): o homem público não pode se contentar com a pureza de suas intenções e a obediência ao formalismo às leis: em última análise, ele será julgado pelos resultados que conseguir. A política, em um regime democrático, exige alianças, acordos, trocas de favores e benefícios, e nem sempre podemos escolher nossos aliados. A ética privada, seja em relação a sexo, que tanto preocupa os americanos do norte, ou a dinheiro, que preocupa mais os brasileiros, não é um bom preditor dos resultados da vida pública. Todos, afinal, cometemos pecados maiores ou menores em nossa vida quotidiana…

bandeira_brasilUma das grandes questões do nosso tempo é o fato de como a política pode ser possível para o bem comum da sociedade, respeitando a individualidade do ser humano, mesmo que tenha que se equilibrar na ambigüidade do Poder.
Como Aristóteles definiu naquela sentença imortal, copiada por milhares de acadêmicos, que sequer pensaram realmente o que ela significa: o homem é um animal político. No entanto, só porque ela se utiliza a palavra “animal” não é possível concluir, a partir daí, que questão ética não tem importância, e que a vida pública deve ser entendida como um vale-tudo, na disputa pelos interesses das diferentes pessoas e grupos sociais.
O que observamos no Brasil, curiosamente, é que políticos corruptos mantém relações estáveis, de longo prazo e, em certo sentido, bastante “éticas” com seus eleitores, embora possam ter comportamentos totalmente antiéticos na gestão dos recursos públicos. O mandato político depende, não do apoio do eleitor, mas da capacidade do político de obter recursos para grupos de interesse que permanecem à sombra. Assim o espaço, que era antes de interesse público, passa praticamente a mãos de interesses particulares – e a política predatória e corrupta aumenta ainda mais.
Isto levanta uma questão nada simples, mas urgente, de como fazer com que políticos tenham um compromisso ético mais claro com seus eleitores, e sejam não só co-responsáveis mas principalmente interessados nas conseqüências de suas ações.
Em quanto esse debate, segue diariamente, tanto do nosso lado – como estudantes – quanto do lado deles – enquanto políticos – cada dia mais se torna “irremediável” a desigualdade social em um país com todos os dispositivos naturais pra se desenvolver.
Como Assistente Social temos que conseguir olhar muito além daquilo que o senso comum vê, coisa muito difícil essa, uma vez que não precisa de esforço para se ver tantas pessoas precisando de ajuda… fácil? Não! Extremamente difícil para um profissional que tem o “ser humano” como matéria prima.
Dessa forma me utilizarei de uma frase para encerrar esse trabalho, de reflexão político-ético-social, frase que tem estado constantemente na boca da classe “raladora” de nosso país e que pessoalmente em relação a dificuldade do tema tratado nesse trabalho eu também adoto não só como ponto de partida mas principalmente como modo de vida: “Sou brasileiro e não desisto nunca!”.

Referências:

Schwartzman, Simon, V Jornada de Ciências Sociais, mesa redonda “Sociedade Brasileira e Poder”. Belo Horizonte, UFMG, novembro de 2006.

Por: Moacir Segundo
Graduando em Serviço Social (UNOPAR) e Filosofia (UFG).

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